Uma Carta Aberta a Assunção Cristas, vinda do Norte

Sra. Ministra Assunção Cristas,

Uma Carta Aberta a Assunção Cristas, vinda do Norte

Não me dirijo a si por Exma. uma vez que para mim a Sra. é nada e o nada não costuma merecer-me tais considerações. Pelo contrário, a Sra. conseguiu irritar-me com a sua nova proposta de lei sobre animais em apartamento e não estou nada virada para salamaleques. Queria relembrar-lhe que sou eu que pago o seu ordenado, enquanto contribuinte, e que estou a pagar da mesma forma os infantários e escolas (colégios privados?) dos seus filhos e não me tenho queixado do número de crianças que a Sra. Ministra me faz sustentar. Assim, não se meta na minha vida nem em minha casa, onde mando eu.

Se quero e tenho condições para ter 1 cão, tenho 1 cão; se quero e tenho condições para ter 4 ou 5 cães, tenho 4 ou 5 cães. Sou eu que pago a alimentação, os cuidados veterinários e todas as despesas inerentes a eles e por acaso a Sra. Ministra e o Governo de parasitas da qual faz parte não contribui de maneira nenhuma para essas despesas.

Muito pelo contrário, a Sra. Ministra e esse tal de Governo fazem-me, com a ausência de leis válidas de protecção animal, alimentar animais de rua, esterilizar animais de rua, cuidar de animais de rua. E aí também a Sra. Ministra e o seu Governo me irritam ao não aprovar propostas de esterilização que reduzam o número de animais errantes.

Se quer fazer alguma coisa válida no seu Ministério, investigue os criadores de animais clandestinos por todo o país. Vá visitar um canil de abate. Vá visitar uma Associação e veja as dificuldades com que se deparam para proporcionar o mínimo de bem-estar aos animais.

Saia de casa, Sra. Ministra e faça-se à vida. Faça alguma coisa, seja voluntária de um canil ou associação – alimente, trate, passeie, limpe. Vai ver que se sente útil e que fará a diferença na sua vida dando um exemplo válido aos seus filhos.

Hoje e nos próximos tempos não conseguirei olhar para a sua cara de pouca vergonha de quem não contribui em nada para a evolução da espécie mas espero em breve ver a Sra. Ministra afirmar nas noticias que afinal não era nada disso que queria dizer. Não será a primeira, recordo-lhe que o seu Vice-primeiro-ministro agiu assim recentemente e aparece em todo o lado com a maior cara de pau. É o chamado “afinal não existia nada”.

Não lhe envio cumprimentos porque, até ver, não mos merece. Se tiver um momento de lucidez e humanidade e aprovar leis efectivas de protecção animal, punindo maus tratos e abandono, terei todo o gosto em voltar a escrever-lhe noutros moldes.

Fernanda Maria Santos
Gondomar

AUTOR: Fernanda Maria Santos

Publicado em: 
30 Outubro, 2013
Categoria: 
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