Touro Bravo, por Teresa Botelho

A erva é tenra, o verde é paz e o Sol brilhou!
O vento quebra os silêncios e os badalos
são a música tranquila que embala os campos.

SOU UM TOURO BRAVO!

Touro Bravo, por Teresa Botelho

Herói amado e odiado!
Rei dos pastos e olhar perdido...
Força bruta que o medo excita.
Gigante negro que se julga livre!

SOU UM TOURO BRAVO!

Escravo de especismo e raça de guerra inútil.
Animal, como tantos outros, explorado.
Um dia, deixarei os pastos, a brisa e a música da Natureza.
Ouvirei os gritos da turba ensandecida
e sentirei a dor e o sangue que me queima o corpo.

EU ERA UM TOURO BRAVO!

 
Hoje, sou o farrapo que tenta sobreviver...
Eu era a valentia que a dor roubou, trémulo e moribundo.
Resta-me a saudade do pasto verde e a resignação
aos ferros que me levam a dignidade!

JÁ NÃO SOU UM TOURO BRAVO!
 

Entreguei-me ao homem que imita valentia,
à dor que me consome
e à morte que tarda em chegar...

JÁ NÃO SOU UM TOURO!

Sou apenas aquilo que acham que nasci para ser
e o que de mim fizeram:

- Um fraco sopro de vida, num corpo que não é mais meu...

 

Agradecimentos a Teresa Botelho por este texto e pela sua permissão para integrar o AnimaSentiens

AUTOR: Filomena Marta

Publicado em: 
24 Setembro, 2013
Categoria: 
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