In Memoriam de André Sousa Bessa

Há um antes e um depois. Nada volta a ser o mesmo. O Mundo vira-se ao contrário e passamos a questionar a brevidade e leveza desta vida. A leviandade com que tantas vezes lidamos com ela, a atenção que damos a pequenas coisas, coisas mesquinhas, ao Passado e ao Futuro. Quantas vezes nos despedimos de pessoas com palavras amargas, sem sabermos se serão as últimas palavras que lhes diremos. Não há Passado e não há Futuro, há Presente. E não é à toa que se chama Presente, pois é a benesse da Vida que temos diariamente. Hoje. Amanhã não sabemos.

In Memoriam de André Sousa Bessa

Não conheço André. Não digo “não conheci” precisamente porque o Presente é todos os dias, e todos os dias haverá alguém que lembrará André. Não conheço Judite de Sousa, e apesar de lhe reconhecer um óbvio e flagrante valor já fui “mázinha” com ela (somos sempre mais “mauzinhos” com quem tem valor e a quem exigimos por vezes demais, esquecendo-nos que somos todos uma perfeita imperfeição). Conheço, há vários anos, José Alberto Carvalho e sei que lhe custou anunciar a morte de André. Também é pai. Mas conheço também a dor por que esta eminente jornalista está a passar, pois não esquecerei jamais (eis o Passado…!) aquela noite na SIC em que recebi a chamada da minha mãe, uma mãe destroçada, a dizer “filha, vem para casa porque o mano morreu”. Recordo, também, a actuação inesquecível do Rodrigo Guedes de Carvalho perante a minha absolutamente atarantada reacção (o José Alberto estava de folga nessa noite), de uma solidariedade comovente. Nunca lhe agradeci por isso…

E recordo a minha mãe perante o seu filho morto. E consigo imaginar a dor de Judite.

A Morte é o que de mais certo temos na Vida, mas nunca tão cedo.

Judite, a dor irá passar. Leva tempo, mas irá passar. Permita-se sofrer. Depois fica uma cicatriz que gostamos de acariciar. Há o Antes e o Depois, a nossa própria Vida se revolve. A Vida será uma coisa diferente e aprendemos a dar valor a coisas diferentes. Mas será sempre e para sempre Presente. Se sempre deve ser assim, agora, mais do nunca, é viver um dia de cada vez.

As minhas saudações, Judite, e a minha inteira solidariedade.

AUTOR: Filomena Marta

Publicado em: 
30 Junho, 2014
Categoria: 
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