Costa pouco Seguro

Se eu quisesse muito, mas muito, ser política já estava metida num qualquer partido. Não estou, e cada vez vejo mais distante essa possibilidade, apesar de saber que metade daquilo que desejo fazer e ver mudado ficaria muito facilitado com uma máquina partidária como apoio. Nomeadamente, tudo o que de bom desejo fazer em prol dos animais e dos seus tão merecidos e desprezados Direitos. Mas também das pessoas, obviamente, que tão castigadas têm sido e tantas se encontram em situações absolutamente dramáticas. Não sou dada a distinções esquizofrénicas e não acho que para defender as pessoas tenho de deixar de proteger os animais. Todos estamos vivos e todos potencialmente sofremos.

Não sou política e, mais grave, começo a não ter paciência para a política. Os políticos começam a parecer-se muito com aquela experiência científica (logo eu, que sou contra a experimentação animal) em que um macaco mete a mão num jarro, agarra os amendoins e já não consegue tirar a mão… porque se abrir a mão perde os amendoins. No caso da política, quem diz amendoins pode dizer qualquer outra coisa, e há muito político que deve estar bem agarrado aos amendoins, enquanto outros têm os “amendoins” agarrados.

Até pensava que podia haver uma alternativa, apesar de ter ficado algo traumatizada com a passagem do Partido Socialista (PS) pelo governo. Mas também me traumatizaram inúmeros governos que passaram pelo poder, como me tem traumatizado profundamente esta “aliança” PSD-PP. Isto não é uma aliança, isto são algemas!

Tudo bem. Andava para aqui a pensar que Seguro não me convencia, por muitas voltas que desse à minha boa vontade. Há uma palavra mágica que deve andar colada a um político e que, na minha estrita opinião (que vale o que valem todas as opiniões), o actual líder do PS não tem: carisma. Esse dom natural acentuado que faz sobressair um comum mortal e move multidões. Bem… a parte das multidões não está, para já, a correr bem ao PS e já há quem lhe junte a palavra “arruaceiros”. Not good, indeed…

Partidos à esquerda não me parecem alternativa, à direita vê-se o que o PP anda a fazer na sua irmandade governativa, esquerdas e direitas extremas preocupam-me sempre, e o PS está como está: destrambelhado, descabelado, destabilizado, desgraçado. Não fosse a representação que temos da nobreza nacional, quase me inclinaria para a Monarquia. Mais estável e mais barata do que a República. Principalmente quando se trata de Repúblicas das Bananas… ou “dos bananas”?

Nos tempos que correm já estou como o futebol: prognósticos, só no fim do jogo. Já caí na grossa asneira de tentar fazer previsões em relação a uma criatura que manda cá no burgo e não é que o homem quer mesmo “matar os portugueses”?!*

Confesso que a reacção de António Costa ao descalabro que está a acontecer no PS me tem surpreendido pela positiva. Mesmo que não simpatizasse com ele, e até simpatizo, até considero que tem esse factor “carisma” que falta a Seguro, o seu posicionamento e contenção, a sua educação na forma como reage e tem reagido aos muitos constrangimentos que estão a suceder, desperta-me alguma admiração. Não conheço nem um nem outro pessoalmente, não sei dizer como são em termos de carácter nem aferir o seu valor humano, mas agrada-me francamente mais a atitude de um do que do outro. E por muito que não queiramos, somos as nossas atitudes.

Em termos de política e governação, o que sei é que o canil de Lisboa era a vergonha do país, um antro de crueldade e morte, e hoje é algo que se pode ver. Se já vinha de trás…? Se era intenção já começada…? Talvez, mas nunca ninguém, nos longos anos, duras lutas e muitas providências cautelares resolveu o assunto. E o que é um facto é que o canil de Lisboa mudou.

O que me provoca alguma náusea é a mesquinhice que se desenha e observa actualmente no PS, os insultos a um homem que apenas faz o seu papel, de seu direito, de se candidatar a um lugar político. Também Passos Coelho se aproveitou do PEC IV para destruir um governo… e hoje é primeiro-ministro. Se os resultados eleitorais do PS ficaram aquém das expectativas e Costa decidiu avançar, Seguro que se aguente. Mas com lisura, se faz favor.

*cft “Salvar Portugal, sem matar os portugueses”, uma das primeiras crónicas do Anima Sentiens: http://animasentiens.com/index.php?option=com_content&view=article&id=79%3Aportugal-em-crise-nao-em-coma&catid=46%3Apolitica&Itemid=37&lang=pt

AUTOR: Filomena Marta

Publicado em: 
24 Junho, 2014
Categoria: 
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