Pela boca morre o peixe…

Pela boca morre o peixe…

Pela boca morre o peixe...

por Filomena Marta

 

Uma imagem vale mais do que mil palavras, dizem. Se calhar com toda a razão…

O que aqui está em causa não tem nada a ver com a imagem do antigo Presidente da República, mas a legenda é tão boa! Tão adequada.

Nada a temer. Porque los hay, los hay.

Andei a pensar em que raio de categoria ia colocar esta crónica especialmente dedicada a essa figura chamada Miguel Sousa Tavares. Pois que los hay

Escreveu recentemente a figura uma série de alarvidades no Expresso que não sei bem onde encaixar. Não é sociedade, muito menos política, mas como o tema são animais, atendendo à propriamente dita decidi colocar na categoria “animais”. Ainda pensei na “desabafos”, mas isto não é um desabafo, é a constatação de um facto. Que los hay

Mas afinal o que diz a b… criatura?

Confesso que não tinha comprado o semanário em questão, mas houve quem tivesse rapidamente a gentileza de me alertar para o chorrilho.

Com direito a devido destaque vemos a primeiríssima baboseira, apenas passível de ser dita por quem é totalmente inculto, iletrado e basicamente burro nos assuntos relacionados com animais no nosso paupérrimo país, principalmente no que toca o estatuto jurídico do animal, a protecção dos animais, o respeito pelos Direitos do Animais e, regra geral, o comportamento generalizado de falta de respeito (a amar ninguém é obrigado…) para com os animais na sociedade portuguesa, seja pelo cidadão comum seja pelas esferas oficiais e políticas.

Diz pomposamente a baboseira: “É-se mais bem tratado fiscalmente por ter um cão ou um gato do que por ter um filho. É a regra do jogo”.

Isto dito por quem tem filhos e creio que também netos, para os quais eu, que nunca tive filhos, tenho andado toda a vida a descontar em impostos para os ajudar e os manter.

Ora, que eu saiba (e será que sou ignorante?!) esta figurinha nunca na p… da vida dele descontou para o cuidado e bem-estar dos meus animais, nem participou no bem-estar de qualquer outra pessoa que nunca tenha tido filhos. Mas o contrário não é igual, pois quem nunca teve filhos desconta e sempre descontou para o bem-estar dos filhos dos outros. Mas que culpa temos nós que as criaturas se queiram encher de filhos?! A mesma que eles têm, então, se nós quisermos ter animais em vez de filhos! Cada um tem os filhos que lhe apetece, e os meus têm pêlo, andam em quatro patas e miam em vez de acordar os vizinhos aos berros e dar encontrões em correrias nos supermercados. Escolhas, apenas! Para mim a minha é melhor, e a criatura, nem ninguém, tem alguma coisa a ver com isso nem tem de implicar e choramingar, principalmente num país onde os animais têm estatuto de “coisa”!

Ah mas está retirado do contexto e tal… então vamos lá buscar o contexto!

O contexto está em todo o “quarto exemplo” que esta criatura aventa. Preocupadíssimo que deve estar pela possibilidade de as touradas e a caça poderem ser proibidas, calculo… é que deste Presidente ele deve gostar: apesar de ser muito religioso é aficionado e anda com peles de bichos mortos nos ombros, enquanto reza durante uma procissão. Está bem que a criatura confessa logo de início não ter e não querer nada a ver com Deus… mas este ponto de união existe. Los hay

A pérola em questão, e a bem do contexto, merece ser “escarrapachada” aqui. Peço desde já desculpa, mas tente ler entre os parêntesis rectos, porque não resisto ao comentário!

Quarto exemplo: os animais. Aqui, entre nós, prepara-se uma nova legislação sobre os animais - [N.A. haja Deus que já não era sem tempo! Mas parece que a criatura não acha graça. Vejamos…]-. O objectivo é atribuir-lhes uma qualificação jurídica entre as pessoas e as coisas - [Aaaahhhh a sério?! Os animais são coisas?!!] - (circula por aí um projecto de lei , que não sei se é verdadeiro - [É bom que seja!!!!] -, que os pretende qualificar como “pessoas não-humanas”). Daí, seguir-se-á um código de direito que, em última análise, chegará ao objectivo final pretendido pelo PAN - [Ah! A pedrita no sapato…!] -: a proibição das touradas e da caça – [Oxalá!]. Entretanto, preparam-se outros “direitos dos animais” – [A graça de ver isto entre aspas…!] – de companhia que, na verdade, são direitos dos donos, como o de livre circulação pelos “espaços comerciais” – [Assim, sei lá, como em Barcelona…?! Aaaahhh!] -. Não me consta que haja estudos científicos que tenham concluído que os cães e gatos domésticos queiram frequentar restaurantes e centros comerciais - [Por acaso há o Manifesto de Cambridge, assinado por vários cientistas, que atesta a senciência de todos os mamíferos e aves… mas não sendo tourada nem caça é natural que a criatura não saiba que existe.] -, mas não nos devemos admirar se dentro em breve virmos um gato a circular pelas mesas de um restaurante – [É óbvia e gritante a ignorância da criatura sobre animais!] – ou um bulldog a lamber-nos as calças nas Amoreiras – [Esta merece dois espantos: o quê??? Como em Barcelona??? Já não vai ser só uma criancinha a atropelar-nos e a furar-nos os tímpanos com uma valente birra???? Agora vamos receber lambidelas de um cão???? Creeeeedo!] -. E há um problema de difícil solução: o que é um animal de companhia? – [Pois é… há bichitos que algumas pessoas têm (e são) que não entram na classe de animais de companhia, por muito “próximos” que estejam e muita “companhia” que façam…] – Nas últimas eleições inglesas - [É naquele país civilizado que tem boas leis de protecção animal e uma tal de RSPCA???] -, tendo sido decretado que os donos se podiam fazer acompanhar dos seus animais de companhia, apareceram votantes acompanhados de cavalos [Antes estes do que as cavalgaduras que pululam neste mundo!] -  e até de porcos pela trela [Aqueles animais mais inteligentes do que muita gente? Onde já se viu…?] -… O meu pai tinha um grande amigo cujo animal de companhia era uma jiboia, que passeava no carro e no jardim de casa [Ok, não sou muito dada a répteis e fujo deles, mas “so what”?!] -: não sei se deixou discípulos - [Ai esta Biologia que anda pela hora da morte… uma jiboia sozinha a ter jiboiazinhas…!] -, mas eu preferia não encontrar uma jiboia no supermercado - [Também não, mas antes isso do que muitos “abutres” que andam por aí a estragar a vidinha de muita boa gente!] -.

Mas também se prepara nova legislação penal sobre os maus-tratos a animais [Aquelas coisas horríveis, desumanas e arrepiantes que são cometidas todos os dias contra milhares de animais?...] -, que vai incluir autópsias para apurar as causas de morte (custa 500 euros cada uma, a pagar pelos contribuintes) – [Os mesmos que pagam para os filhos dos outros?...] – e brigadas especiais da PJ paa investigar os crimes – [Este ainda não sabe que os crimes contra animais são um dos indícios de psicopatia e sociopatia, cometidos por todos os “serial killers” e já inscritos na lista de crimes perigosos do FBI e por esta instituição já considerados “crimes contra a sociedade”…] (deve custar uns milhões largos por ano) – [Também muitos políticos e ninguém se preocupa…] -, como se isso pudesse impedir o que apenas tem a ver com sensibilidade - [ahahahah!] - e civismo[… e psicopatia, e sociopatia, e falta de carácter, e tendência para a violência e para o crime, e etc…] -.  - Mas, enquanto se espera por tudo isso, o governo já se antecipou: no orçamento para este ano, diminuem as deduções para os filhos (sobretudo com as despesas escolares), mas é aliviado o IVA sobre a comida para os animais - [Pois é, agora é a sua vez de pagar também, ó amigalhaço… não está bem a primeira, mas a segunda é de louvar, por isso queixe-se da primeira, mas sem pôr a culpa na segunda porque “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”… então, vamos ser homenzinhos?] - . Dizem que estão muito preocupados com a baixa taxa de natalidade, mas não parece – [Querem ver que a agora a culpa da malta não ter filhos é dos gatos e dos cães…?!] -: é-se mais bem tratado fiscalmente por ter um cão ou um gato do que por ter um filho. É a regra do jogo. – [Eu nesta só consigo rir… desculpem lá, mas no meio das gargalhadas fica difícil comentar.]

E logo eu que sofro de coulrofobia…

 

 

N.A.: Coulrofobia é o termo técnico/psiquiátrico usado para quem tem medo de palhaços.

 

 

AUTOR: Filomena Marta

Publicado em: 
19 Abril, 2016
Categoria: 
968 leituras

Comentários

Retrato de Carlos Ricardo

Mais uma extraordinária crítica a um personagem público que o mínimo que se pode dizer DELE é ser IGNORANTE e de MÁ FÉ na leitura que faz dos (infelizmente poucos) progressos a favor do Bem-Estar Animal !! 

Este ser, que detesto como "animalfóbico" (que o é) e que se aproveita do acesso que tem á comunicação social para DESTRUIR o que se faz pelos Animais, possivelmente nunca aceitaria discutir em público com aqueles que defendem aquele Bem-Estar !! E a isso, chamo COBARDIA !!