Bombeiros que salvam gatos

Não é em Portugal, infelizmente. Por cá os bombeiros não salvam gatos presos em árvores e até gozam com quem lhes pede ajuda para tal. Se envolve animais, esqueçam os bombeiros. É estranho, pois estaríamos em crer que eles existem para ajudar quem está em dificuldades… e aqui há duas leituras: primeiro, quem pede ajuda aos bombeiros para salvar um animal é porque está a sofrer com a situação de perigo em que o animal se encontra (sim, há gente boa e sensível, não é preciso ficar tão espantado!); segundo, um animal é um ser vivo que merece a atenção e socorro que qualquer ser vivo merece!

Bombeiros que salvam gatos

Uma das razões por que não faço parte de partidos políticos e associações seja do que for, incluindo as de protecção animal, é porque gosto muitíssimo de ser independente e dizer o que penso, doa a quem doer, malhe em quem tiver de malhar. Já falei muito bem dos bombeiros, já os enalteci, já lhes prestei tributo público e já lhes agradeci publicamente. Hoje estou a perguntar-lhes directamente se afinal merecem a designação de “soldados da paz”?
Um “soldado da paz” tem de ser e deve ser um ser humano intrinsecamente bom, bondoso, generoso, altruísta e livre de preconceitos. Salvar é salvar, sempre. Seja criança, velho, branco, preto, gato ou cão.

A mais esfarrapada desculpa para não tentar sequer salvar um gato preso numa árvore alta é a de que os gatos sabem subir árvores, portanto também as sabem descer. E uma pergunta cretina que se ouve muitas vezes é “já alguma vez viram um esqueleto de gato numa árvore?”.
Vamos por partes. Os gatos sobem bem árvores, porque têm garras que curvam para baixo e para dentro e usam as patas traseiras para dar impulso na subida. Um pássaro ou um esquilo são motivos suficientes para entusiasmar um gato a subir até uma altura de onde já não consegue descer. A posição de descida não é natural para o gato e contraria a sua estrutura física, ficando de repente encurralado num ramo alto. Um gato que consegue descer por si próprio, fá-lo geralmente no prazo de um dia, tentando descer normalmente durante a noite, quando tudo está mais tranquilo e seguro, e geralmente consegue descer quando descobre que virando-se de costas e agarrando-se com as garras consegue não cair.

Quanto aos esqueletos em árvores… bem… se ouvisse alguém referir isto teria de assumir de imediato que se tratava de um atrasado mental. Um gato que morre em cima de um ramo de árvore deve com certeza acabar estatelado no chão. Ou por acaso acham que um corpo morto se mantém em perfeito equilíbrio num ramo de árvore?

Mas se por cá os bombeiros acham que não faz mal um gato estar preso em cima de uma árvore durante três dias, convém explicar-lhes que isso pode mesmo matar um gato. O animal entra primeiro em estado de desidratação que, tal como nos seres humanos, pode tornar-se uma condição fatal, além de ser extremamente debilitante. Além disto, além de passar três dias sem beber, o gato também não tem acesso a alimento, o que conduz a uma condição de lipidose hepática, uma afecção do fígado que também pode resultar na morte do pequeno felino.
Fazendo uma pesquisa rápida num motor de busca da Internet, através de “bombeiros que salvam gatos” e “árvore”, rapidamente encontramos mais de 3 milhões e 700 mil referências e centenas de fotografias ilustrativas de salvamentos de gatos em árvores altas por bombeiros de várias partes do Mundo, principalmente Estados Unidos e Inglaterra. Sintomático de civilização e civismo?… Talvez, muito provavelmente, sim.

Tudo isto por ter recebido um apelo urgente de uma gata presa no cimo de uma árvore, na Buraca, Amadora, há quase quatro dias. Os bombeiros foram chamados e recusaram o resgate:

“Muito URGENTE
Por favor, preciso que alguém ajude uma situação grave e urgente com uma gatinha que se encontra no cimo duma arvore muito alta na Rua Trindade Coelho na Buraca. Fica em frente ao prédio nr 2 e junto a uma mercearia que se chama Ponto Fresco.
Lamentavelmente os bombeiros foram chamados e viraram pura e simplesmente as costas e dizem que não podem fazer nada.
Nesta altura que toda a gente elogia tanto os bombeiros eu, infelizmente, só tenho motivos para descrer no bom voluntariado deles.
A gatinha está lá em cima há 3 dias (vai para 4). Miava muito alto e agora deixou de miar. Já está sem forças nenhumas.
Liguei agora para a Câmara da Amadora que vai mandar passar lá uns funcionários mas informaram-me que eles não têm meios para retirar a gatinha, mas mostraram boa vontade e vão pelo menos ver se há algo que se possa fazer.
APELO A QUEM TENHA MEIOS POSSIVEIS PARA AJUDAR QUE COMUNIQUEM OU SE DIRIJAM AO LOCAL QUE INDIQUEI.
DIVULGUEM MUITO POR FAVOR!
OBRIGADA
CR”

Neste caso nacional, passado hoje, 17 de Março, a Câmara Municipal da Amadora compareceu no local, como tinha prometido, tal como a Polícia, quando foi chamada. Em conjunto fizeram os bombeiros actuar, a gatinha foi finalmente retirada da árvore, mas infelizmente não em bom estado de saúde, pois associado ao tempo que passou na árvore o grande stresse do salvamento agravou o seu estado de saúde já debilitado.

E no meio da minha procura e do muito que encontrei sobre bombeiros que salvam gatos, ficam apenas aqui algumas fotografias e uma notícia do Daily Mail, que refere a colaboração que existe entre os bombeiros ingleses e a RSPCA, a Sociedade Real de Prevenção da Crueldade Animal. Nesta notícia ficamos tão só a saber que sete bombeiros, um carro da polícia e um elemento da RSPCA estiveram três horas a resgatar um gatinho de uma árvore. É tal e qual o que se passa por cá…igualzinho!

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AUTOR: Filomena Marta

Publicado em: 
17 Março, 2014
Categoria: 
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