2014: novo holocausto animal no Nepal

Em Novembro de 2014, se nada for feito, vai haver mais um assassinato em massa de animais no Nepal. No festival de Gadhimai são mortos cerca de 500 mil animais durante este “evento festivo” de cariz supostamente religioso. Leu bem, sim: 500.000 animais! Uma verdadeira chacina com chancela do governo nepalês.

2014: novo holocausto animal no Nepal

Não é caso raro na história a matança de animais com desculpas de religião. Pessoas desprovidas de qualquer inteligência, bom senso e senso crítico acreditam que matar um animal e derramar o seu sangue lhes dá sorte e protecção. Se isso poderia, eventualmente, ser admissível na Idade da Pedra, em pleno século XXI torna-se uma verdadeira aberração. Mas é, também, a prova de que o Ser Humano permanece tão inculto e selvagem como há 10.000 anos, pondo em causa todas as considerações sobre a evolução do Homem.

Não é apenas em Gadhimai que é patente a falta de senso e a mesquinhez da mente humana, basta atentarmos no tráfico e comércio de partes de animais selvagens mortos porque alguns povos (se podem ser merecedores de tal nome), nomeadamente os chineses, acreditam que o chifre de rinoceronte lhes dá poderes especiais, são afrodisíacos ou curam maleitas… que apenas podem ser tratadas em hospitais psiquiátricos.

A barbárie, actualmente, é disfarçada de tradição, de cultura, como em Portugal é a tourada e a matança do porco. Mas esta barbárie é mais extensa e até considerada normal e alimentada por populações supostamente civilizadas, reflectida na produção intensiva de animais para consumo humano e na exibição de cadáveres nas prateleiras dos supermercados.

O banho de sangue de Gadhimai

Durante um mês inteiro e de cinco em cinco anos acontece o Festival Hindu de Gadhimai, no templo de Gadhimai de Bariyarpur, no distrito de Bara, a cerca de 160 km a sul da capital de Katmandu, no Nepal do Sul.

Este evento tem o maior sacrifício de animais do Mundo, que ronda os 500 mil animais mortos em apenas um mês, incluindo porcos, cabras, búfalos de água, galinhas e pombos. O povo quer agradar Gadhimai, a deusa do poder. Os assassinos simplesmente acreditam que os sacrifícios dos animais para a deusa hindu terminarão o mal e trarão prosperidade. Comparando com a indústria pecuária pode não ser um grande número, porém, inquina de um estado de doença mental em que as pessoas acreditam que o sangue de um animal chacinado pode trazer felicidade.

Barbárie em estado puro…

http://youtu.be/vnkbSRXHhPA

A maior parte dos cinco milhões de participantes neste festival pertence ao povo Madeshi, dos estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar-Terai, onde estão banidos os sacrifícios de animais. Ir ao Nepal ao festival de Gadhimai permite-lhes dar largas à sua sede de sangue, provando que a distorção das mentalidades vai contra as próprias leis e directrizes, que tentam fazer um povo mais civilizado e educado. Nada disto consegue travar a selvajaria humana reflectida nos vudus, magias negras e crenças absurdas de que sangue ou partes de animais podem dar poderes e curas especiais, em prol de religiões e deuses ou apenas em rituais e crenças pagãs.

O último festival aconteceu em 2009, apesar dos fortes protestos e tentativas de boicote por parte de diversas organizações de defesa animal, locais e internacionais, nomeadamente da Fundação Brigitte Bardot, de Maneka Ghandi e de Ram Bahadur Bomjon, considerado por muitos a reincarnação de Buddha. A carnificina teve início na primeira semana de Novembro até à primeira semana de Dezembro de 2009. A 24 e 25 de Novembro deu-se o sacrifício animal, um ritual efectuado pelo sumo-sacerdote do templo, que incluiu a oblação de ratinhos, pombos, galos, galinhas, patos, porcos e búfalos de água machos. Só no primeiro dia foram sacrificados mais de 20 mil búfalos, estimando-se que no decurso do festival foram chacinados meio milhão de animais.

O regresso da chacina em 2014

Há diversas vergonhas mundiais a acontecer no Planeta: a matança de golfinhos em Taiji, no Japão (1); a matança de focas no Canadá (2); o roubo desmesurado de ovos de tartaruga, com a chancela do governo da Costa Rica, ou furtivamente em muito outros locais (3); o assassinato desenfreado de elefantes e rinocerontes pelo marfim e pelos chifres (4); a matança de tubarões pelas suas barbatanas (5); a caça-grossa “desportiva” em safaris milionários (6); a indústria agro-pecuária (7); as quintas de animais criados e mortos em condições degradantes pelas suas peles (fazendas de peles) (8); a experimentação animal (9); a criação de animais de companhia em condições abjectas nos puppy mills (“fábricas” de cães) (10)… A pegada humana no planeta é de uma violência desconcertante.

Estas são algumas das vergonhas da Humanidade, que castiga tanto os outros animais como os da sua própria espécie com tortura, fome e morte.

O festival vai acontecer de novo, passados já cinco anos sobre a última vergonha de um massacre indescritível e incompreensível para quem quer que seja minimamente civilizado. Não há tradições nem cultura que justifiquem carnificinas, tortura e crueldade.  É obrigação do Homem evoluir, mas a verdade é que mais de metade do planeta vive numa idade de trevas e de trogloditismo aflitiva.

As organizações de defesa e protecção animal lançam petições para travar o próximo festival, que terá lugar este ano. Mas como se trava cinco milhões de mentes atrasadas e distorcidas…?!

Só com um Exército… e uns dirão que isso é repressão, que é a liberdade deles, que começa onde termina a nossa. Pois a liberdade deles termina onde começa o direito à vida e ao não sofrimento dos outros animais.

Não há liberdade alguma que justifique massacres e holocaustos, de humanos ou de quaisquer outros animais.

NOTAS:
(1) Retratado no documentário “The Cove” (https://www.youtube.com/watch?v=4KRD8e20fBo) e em algumas filmagens  no local: http://youtu.be/nNsdZ6CgWzE e http://youtu.be/HW49qV6PhWk
 

A matança de golfinhos em Taiji

Matança de Golfinhos

(2) (2) Milhares de focas são mortas de forma horrenda com a chancela do governo canadiano

Matança de focas

Imagens do site da PETA: https://secure.peta.org/site/Advocacy?cmd=display&page=UserAction&id=5449

(3) O governo da Costa Rica permite o roubo de ovos de tartaruga:

Roubo de ovos de tartaruga

(4) O massacre de rinocerontes e elefantes, pelos seus chifres e presas:

Massacre de Rinocerantes

(5) Milhões de tubarões morrem pelas suas barbatanas: http://youtu.be/PAHNF8iKhfw (Hong Kong importou 10 milhões de quilos de barbatanas de tubarão em 2011)

Pesca do Tubarão

(6) A caça-grossa é um desporto milionário e cruel, com várias empresas a fazer a apologia das delícias de caçar magníficos e indefesos animais, como os elefantes e gazelas ou búfalos, por preços que ultrapassam milhares de euros ou dólares. As caçadas do então rei Juan Carlos correram mundo em grande polémica:

Caça Grossa

(7) Os matadouros, onde a violência e o terror impera, como pode e deve ser visto no documentário “Glass Walls” de Sir Paul McCartney: https://www.youtube.com/watch?v=sTifP6idBPs e https://www.youtube.com/watch?v=Vkimy1tG30U

Matadouro

(8) A vergonha das fazendas de criação de animais para peles:

Furão

(9) Experimentação animal, a pseudo-ciência má, cruel e totalmente desnecessária, que apenas pode servir pseudo-cientistas sádicos

Experiências em Animais

Experiências em Animais

(10) Os campos de concentração de criação intensiva de cães – puppy mills:

Campos de criação intensiva de cães

A religião não é desculpa para a matança e a crueldade, antes pelo contrário.

A Bíblia diz:

“O justo olha pela vida dos seus animais.” – Provérbios 12:10

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem.” – Isaías 66:3

Buda ensina:

“O homem implora a misericórdia de Deus, mas não tem piedade dos animais, para os quais ele é um deus.

Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã e depositaram confianças nas mãos criminosas que os degolam.

Ninguém purifica o seu espírito com sangue.

Na inocente cabeça do animal não é possível colocar o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um terá de responder.”

E Dalai Lama exorta:

“Matar animais por desporto, prazer, aventura e por suas peles, é um fenómeno que é ao mesmo tempo cruel e repugnante.

Não há justificação na satisfação de uma brutalidade dessas.”

AUTOR: Filomena Marta

Publicado em: 
16 Julho, 2014
Categoria: 
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